Janeiro no Delivery – Queda de vendas no começo do ano?

Janeiro no Delivery: por que a queda de vendas é natural e como atravessar esse período com estratégia

Todo começo de ano traz o mesmo sentimento para quem está no food service: janeiro chega, as vendas desaceleram e a insegurança começa a bater. É comum surgirem dúvidas, comparações com meses anteriores e, muitas vezes, a sensação de que “algo está errado” com a operação.

Mas a verdade comprovada por dados de mercado e por anos de histórico do setor é simples e direta: janeiro não é um mês de crise. É um mês de sazonalidade!

Entender isso muda completamente a forma como o restaurante atravessa esse período. E, mais do que isso, define quem vai chegar mais forte nos meses seguintes.

O comportamento do consumidor muda — e isso não é novo

Janeiro é um mês atípico no Brasil. Ele concentra despesas que não aparecem em nenhum outro momento do ano: IPTU, IPVA, matrícula e material escolar, reorganização do orçamento familiar após as festas e, muitas vezes, gastos com viagens.

Pesquisas de mercado mostram que mais da metade dos brasileiros entra no início do ano prevendo desembolsos elevados apenas com essas despesas obrigatórias. Ou seja, o dinheiro continua circulando, mas muda de prioridade.

Somado a isso, existe a chamada “ressaca de consumo” do fim de ano. Dezembro é historicamente um mês de gastos acima da média, impulsionado por festas, presentes, confraternizações e viagens. Janeiro, naturalmente, vira o mês da contenção de gastos e planejamento financeiro. O consumidor fica mais racional, compara mais preços, reduz pedidos por impulso e diminui a frequência de consumo fora de casa — o que inclui e afeta diretamente o delivery.

Esse comportamento não é pontual, nem exclusivo de um ano específico. Ele se repete de forma consistente ao longo do tempo.

Os dados do setor confirmam: o início do ano é sempre mais fraco

Quando olhamos para os números do setor de bares, restaurantes e serviços de alimentação, o padrão se repete com clareza ao longo de vários anos. Dados históricos analisados por entidades do setor mostram que janeiro e fevereiro costumam apresentar retração ou estagnação, enquanto março marca o início de uma retomada, muitas vezes impulsionada pelo pós-Carnaval e pela normalização da rotina da população e segurança na retomada de entrada de valores no fluxo habitual.

Esse movimento já foi observado em diversos anos consecutivos. Não é um “problema do delivery”, nem uma falha isolada de operação. É o ciclo econômico e comportamental do nosso país.

Inclusive, o próprio mercado reconhece janeiro como um mês mais desafiador. Em diferentes levantamentos, cresce o número de estabelecimentos operando com margens mais apertadas nesse período, justamente porque os custos permanecem altos enquanto o volume de vendas desacelera.

E o delivery nesse cenário?

O delivery no Brasil é um mercado maduro, robusto e consolidado. Plataformas como o iFood processam dezenas de milhões de pedidos todos os meses, em cidades grandes, médias e pequenas. O hábito de pedir comida por aplicativo já faz parte da rotina do brasileiro.

Mas maturidade não significa imunidade: o delivery também sente a sazonalidade!

O que muda em janeiro não é a existência da demanda, mas o comportamento dentro do app. O cliente continua acessando, continua pesquisando, mas decide com mais cautela. Ele busca mais custo-benefício, compara opções e reduz a recorrência.

É por isso que, nesse período, muitos restaurantes sentem queda mesmo mantendo boa avaliação, bom produto e boa operação. Não é falha estrutural, é comportamento de mercado.

As exceções existem: cidades turísticas vivem outro janeiro

Existe, porém, um ponto importante que precisa ser considerado: o Brasil é diverso.

Em cidades turísticas, especialmente litorâneas ou com forte fluxo de férias, janeiro pode ser um mês de crescimento e não de queda.

Turistas pedem mais delivery porque:

  • Estão fora de casa
  • Estão hospedados em hotéis ou imóveis temporários
  • Buscam praticidade durante viagens

Isso reforça uma leitura essencial para qualquer gestor: sazonalidade precisa ser analisada com recorte regional. Janeiro não se comporta da mesma forma em todos os mercados, e decisões estratégicas precisam considerar o território e hábito de consumo e vendas por região.

Onde muitos erram: tem gente tratando janeiro como se fosse novembro

O grande problema de janeiro não é a queda em si, é a reação a ela.

Quando o gestor ignora a sazonalidade e mantém a mesma estrutura de custos, a mesma escala de equipe e a mesma expectativa de faturamento de meses mais fortes, o caixa começa a sofrer. Pior ainda quando a resposta é cortar marketing de forma abrupta, aplicar descontos agressivos sem conta ou desorganizar a operação para “segurar custo”.

Janeiro não pede desespero, ele exige gestão madura e eficiente.

Janeiro é mês de ajuste fino, não de milagre

A leitura estratégica é clara: janeiro é um mês de encaixe.

É o momento de ajustar a operação para caber dentro do faturamento real do período, revisar custos, enxugar desperdícios, calibrar escala, organizar processos e simplificar o cardápio. Não para perder qualidade, mas para ganhar eficiência.

Também é um mês crucial para proteger a reputação. O cliente de janeiro é mais exigente e menos tolerante a erros. Uma experiência ruim agora gera avaliações negativas que impactam diretamente a retomada dos meses seguintes.

Quem usa janeiro para arrumar a casa entra em fevereiro mais estável e chega em março pronto para crescer.

Historicamente, o mercado começa a reagir após o período de férias e do Carnaval. A rotina volta, o orçamento das famílias se reorganiza e o consumo começa a ganhar fôlego novamente.

Por isso, janeiro não deve ser encarado como fim de linha, mas como parte do ciclo natural do negócio.

Disciplina e estratégia vencem o talento

Janeiro não é crise. Não é fracasso. Não é sinal de que “o delivery acabou”.

É sazonalidade. É previsível. E é administrável.

Quem entende esse ciclo não entra em pânico, não toma decisões emocionais e não compromete o futuro do negócio por ansiedade de curto prazo. Ajusta custos, organiza a operação, protege o caixa e mantém estratégia.

Porque no food service, e especialmente no delivery, ganha o jogo quem sabe atravessar os meses difíceis com inteligência, para crescer nos meses fortes com consistência.

E isso, para quem joga no método LCD, sempre esteve no plano.

Por Leticia Lunaro
Estrategista de vendas
Lucrando com Delivery

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Leticia Lunaro

Empreendedora > 5 restaurantes

Consultora Estratégica em Vendas
e Operação — LCD

Formada em Direito;
Pós-graduada em:
Gestão de Pessoas;
Gestão Estratégica;
MBA em Gestão da Produção e Qualidade;
Possui experiência em delivery, franchising
e administração multilojas.

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Leticia Lunaro

Empreendedora > 5 restaurantes

Consultora Estratégica em Vendas
e Operação — LCD

Formada em Direito;
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MBA em Gestão da Produção e Qualidade;
Possui experiência em delivery, franchising
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